

PETRÓPOLIS E JUIZ DE FORA, UMA UNIÃO DE 165 ANOS
No século XIX, o Brasil era um país de caminhos difíceis. O transporte era feito a pé, a cavalo ou com mulas, em trilhas que mal resistiam à chuva. Mas tudo começou a mudar quando surgiu a primeira estrada pavimentada para veículos no Brasil: a Estrada União e Indústria.
Com o avanço da produção de café em Minas Gerais e no interior do Rio de Janeiro, o Império precisava de rotas melhores para escoar a safra até o porto da capital. Era preciso algo novo. Foi nesse contexto que surgiu a ideia de uma estrada pavimentada entre duas regiões importantes para a economia do Império: a serra fluminense e a Zona da Mata mineira. O responsável pela ideia foi o engenheiro e empresário Mariano Procópio Ferreira Lage, natural de Barbacena.
Ele enxergou a possibilidade de criar uma estrada moderna para ligar os produtores de café do interior mineiro ao Rio de Janeiro. Com o apoio do imperador, conseguiu uma concessão em 1852 para construir e explorar a rodovia por 50 anos. Mariano fundou então a Companhia União e Indústria em 1853. A empresa teria o direito de cobrar pedágios para recuperar o investimento e o nome da estrada veio daí.
Dom Pedro II não apenas autorizou a obra como também a acompanhou de perto, e foi pessoalmente ao lançamento da pedra fundamental em 1856, em Petrópolis.
A técnica usada foi o macadame, criada pelo escocês John McAdam. Consistia em colocar camadas de pedras britadas compactadas com rolos pesados, formando um leito regular e resistente. Era a tecnologia mais moderna da época para pavimentação.
isso revolucionou a forma de viajar e transportar cargas. Para erguer essa estrutura, foi necessária uma grande força de trabalho. Muitos operários eram imigrantes alemães, vindos da colônia de Petrópolis, mas a maior parte era composta por escravizados arrendados de fazendeiros, num sistema chamado “arremate”. A obra levou cinco anos para ser concluída.
A estrada foi inaugurada com festa. Em 23 de junho de 1861, Dom Pedro II percorreu o trajeto de carruagem, saindo de Petrópolis e chegando a Juiz de Fora em cerca de 12 horas. Era um feito impressionante para a época.
O imperador ficou hospedado na casa de Mariano Procópio, que mandou construir um palacete especial para recebê-lo, onde hoje funciona o Museu Mariano Procópio.
